BAUMAN, Zygmunt; MAY, Tim. Aprendendo a pensar com a sociologia. Zahar, 2010

14/08/2019

P. 27 sociologia é o poder dos sem poder.

P.28 entender os outros nos permite melhor entender a nos mesmos com os outros.

P. 34 algumas das nossas ações decorrem de nosso hábitos mesmos inconsciente, outras ocasiões nossa liberdade para agir é limitada por circunstâncias sobre as quais não temos controle.

Pag 36 Para sermos capazes de agir livremente precisamos ter mais do que livre arbítrio. Nossa liberdade de agir no presente é composta por nossas experiências acumuladas e circunstâncias passadas.

Pag 37 grupos formais e informais são frequentemente constituídos pelas expectativas que lançam sobre seus integrantes.

Julgamos-nos então de acordo com as expectativas, e nossa auto estima é estabelecida segundo esse julgamento.

P. 38 o grupo que nos define nos ajuda a orientar nosso comportamento e se considera provedor de nossa liberdade, pode não ser aqueles que escolhemos conscientemente e quando nele ingressando não praticamos um ato de liberdade mas uma manifestação de dependência.

As maneira como agimos e nos percebemos são confirmadas pelas expectativas dos grupos a que pertencemos.

P.39 devemos aos grupos a que pertencemos os bens que buscamos, os meios empregados nessa busca e a maneira como distinguimos quem pode e quem não pode colaborar nesse processo.

P.44 o processo de formação do self e de como nossos instintos podem ou não ser suprimidos denomina-se socialização .

P.46 a pessoa só obedece o grupo de referência se ele é importante a ele, caso contrário haverá desobediência.

p. 46 um bom desempenho "profissional" é instância em que a autoestima de uma pessoa ´e sua posição em seu grupo podem ser reforçadas.

p. 57 nenhum esforço para induzir a lealdade em grandes grupos sustenta uma possibilidade de êxito se não for acompanhado da prática de hostilidade em relação a um extragrupo.

p. 68 áreas residenciais exclusivas, policiadas por companhias de segurança privada, são mais um exemplo do fenômeno da exclusão, por parte daqueles que têm recursos financeiros, dos que não compartilham das possibilidades derivadas de sua renda e riqueza.

p. 71 graças as regra da desatenção civil, os estranhos não são tratados como inimigos, e na maioria da vezes, escapam ao destindo que tende a acontecer esses inimigos: não se tornam alvo de hostilidade e agressão.

p. 78 a devoção nunca estará assegurada se não for sustentada por rituais, isto é, uma série de eventos regulares - festividades cívicas, reuniões partidárias, serviços religiosos - de que os fiéis são convidados a participar como atores, de modo que sua filiação e seus destinos comuns sejam reafirmados, e a devoção, reforçada. 

pág 88 divisão de trabalho - trata-se de fator que supostamente impulsiona a eficiência, mas na verdade tende a produzir "incapacidade treinada" tendo-se adquirido perícia no desempenho rápido e eficiente de tarefas circunscritas, pode-se gradualmente perder de vista as ramificações mais amplas do trabalho.

p. 99 A conduta habitual representa, assim, o sedimento da aprendizagem passada. E também, graças a repetição regular, ela nos evita a necessidade de pensar, calcular e tomar decisões em muitas de nossas ações, contanto que as cirscunstâncias encontradas se manifestem segundo a regularidade de algum padrão.

O segundo tipo lde ação não reflexiva é aquela que brota das emoções fortes. As ações afetivas são caracterizadas por suspensão dos cálculos racionais que informam as finalidades e as possiveis consequencias da ação; são compulsórias e surgas à voz da razão.

pág. 100 Ações habituais e afetivas são frequentemente descritas como "irracionais". A ação racional é caracterizada por escolha consciente de um plano de ação, entre diversas alternativas orientadas para a realização de determinado fim. A ação racional é orientada segundo valores.

pág 101 valores orientam nossas condutas. Pierre Bourdieu classifica os tipos de capital empregado em nossas ações em simbólico, cultural e econômico. O capital simbólico refere-se ao poder de conferir significado a objetos, atributos e características  o capital cultural é o conjunto de habilidades e conhecimentos que possuímos e podemos utilizar em nossas ações, e o capital econômico diz respeito ao acesso que temos a riquezas e recursas materiais. 

pág 102 De modo muito simples, as pessoas possuem diversos graus de liberdade.  O fato delas serem em suas liberdades de escolhas diz respeito a desigualdade sociual...algumas pessoas desfrutam de gama mais larga de escolhas devido ao acesso a mais recursos, e podemos nos referir a isso em termos de poder.

Quanto mais poder alguem tem, mais vasto é o leque de escolhas e mais ampla a gama de resultados realisticamente buscáveis. (...) ser relativamente menos poderoso, ou impotente, corresponde a ter a liberdade de escolha limitada por decisões alheias,.

A desvalorização da liberdade do outro em busca de ampliação da própria liberdade pode ser resultado de dois resultados: coerção e cooptar os desejos do outro.

A coerção compreende a manipulação das ações de tal maneira que os recursos de outras pessoas se tornem inadequados ou ineficazes no contexto em questão (...) nas condiçoes extremas de campos de concentração, por exemplo, o valor da auopreservação e da sobrevivência pode bem ofuscar as demais escolhas. 

A segunda estratégia, visa a manipulação da situação de maneira tal que só podem alcançar os valores visados seguindo as regras estabelecidas pelo detentor o poder. Os valores dos subordinados transformam-se, então, nos recursos de seus superiores hierárquicos.

pág 106 O carisma foi a primeira qualidade notada no estudo das influências profundas e indiscutíveis exercidas pela Igreja sobre o fiel. (...) quanto mais forte o carisma dos lideres mais dificil é questionar seus comandos e mais confortável para os seguidores de suas ordens quando expostos a situaçãos de incerteza.

pág 108 Alguem fez as escolhas por nós, podendo, portanto, ser considerado responsável pelas consequencias de nossas ações.  Quem cumpre uma ordem não precisa examinar a moralidade da ação que foi requisitado a executar, nem se sentir responsável se ela não for aprovada em um teste moral.


pág 109 a maioria das nossas ações, embora não todas, é motivada por nossas necessidades.

pág 110 o que faz o objeto desejado ser considerado um "bem" é a qualidade de ser necessário a sobrevivência ou a autopreservação. As necessidades não podem ser satisfeitas a menos que ganhemos acesso aos bens em questão, seja obtendo permissão para usa-los, seja nos tornando seus proprietários -  o que sempre envolve outras pessoas e suas ações.

pág 112 possuir uma coisa significa negar o outro o acesso a ela. Toda posse divide e distingue as pessoas mas só confere poder se as necessidades do excluído exigem o uso dos objetos possuídos.

pág 113 Nesse senido, a posse é uma condição de  possibilidade porque pode ampliar a autonomia, a ação e a escolha, de modo que posse e liberdade são frequentemente considerads inserapaáveis.