Del Nero S. Conflitos intrapsíquicos. Vetor Editora; 2003

02/05/2020

p. 19 o que permeia a relação mãe/criança é que determinará, negativa ou positivamente a integração psique-soma da criança, e a levará a fixar ou não núcleos de reações patogênicas que, por sua vez, poderão trazer ou não consequências funestas na formação de seu Ego e de seu caráter, consequências estas que se manifestarão futuramente, quando essa criança atingir seu período de adolescente ou adulto.

p. 19 a ansiedade ou a angústia que aparece para a criança, e futuramente para o adulto como consequência de conflitos intrapsíquicos que geram tensão interna.

Essa tensão interna, causa um conflito, que causa uma elevação dos níveis de ansiedade ou a sua cronicidade.

p. 28 se uma criança é estimulada, querida e bem tratada pelos pais seguramente ela vai desenvolver a sua auto-estima muito melhor e de uma maneira muito mais adequada e satisfatória do que uma criança maltratada e rejeitada em seu ambiente famiilar.

p.30 Na medida em que o contato com a realidade externa vai se intensificando o Ego vai gradualmente se desenvolvendo e ficando cada vez mais organizado e integrado, a sua capacidade de discriminação vai aumentando e, consequentemente a criança vai,paulatinamente, conseguindo perceber que ela e o outro são seres distintos e não mais amalgamados ou fundidos.

p. 31 os fatores internos ou externos que aparecem como fonte de tensão interna, fazem com que o Ego sinta-se forçado a desenvolver mecanimos de defesa para combater essa tensão interna, por algum motivo, se intensifica, outras operações defensivas são desenvolvidas para combater a angústia ou culpa.

p. 32 a regressão é o movimento de retrocesso da libido aos pontos de fixação desenvolvidos durante o processo de desenvolvimento psicosexual e por ser um mecanismo que pressupõe uma mobilização maciça e profunda da vida psíquica.

p. 35 Na fase adulta o psicótico efetua regressão à fase oral, gerados pelas frustrações e conflitos internos, pois possuem capacidade mínima de lidar com a ansiedade ou tolerar as frustrações;

p. 35 Na fase adulta o neurótico efetua regressão aàs fases fálica e anal, pois possui relativa capacidade para lidar com a ansiedade e tolerar as frustrações.

p. 35 Na fase adulta a pessoa equilibrada, possui boa capacidade para lidar com a ansiedade e tolerar as frustrações, possuindo equilíbrio para resolver os conflitos da fase adulta

p. 53 ter conflitos e um certo de ansiedade faz parte da vida de todo e qualquer indivíduo e isto, de forma nenhuma significa que sejamos emocional ou psicologicamente desestruturados.

p. 55 Aos emocionalmente imaturos cabem, justamente, as reações extremadas frente às situações de maior tensão, pois tanto podem ficar paralisados, inertes e até deprimidos ao terem que enfrentar momentos que lhes geram maior ansiedade quanto podem ter reações violentas, abruptas, desesperadas e de muita agressividade frente a elas.


p. 56 uma pessoa neurótica pode ter seus desejos e sentimentos profundamente reprimidos e recalcados, encontrará muita resistência e inúmeras dificuldades para fazê-los voltar á consciência novamente. 

p. 62 relações iniciais indesejáveis e inadequadas entre a criança e seus pais, na infância, são a base para a estruturação de uma personalidade deformada e determinam sua forma futura de agir em relação à outras pessoas e de se posicionar no mundo.


p. 69 como o indivíduo neurótico tem muita dificuldade em relação à satisfação de suas necessidades pulsionais, as condutas agressivas acabam emergindo em sua vida como uma inversão da agressividade. Ironias, sarcarmos, implicância ou até mesmo indiferença, indecisão, inércia, atos falhos, medos, incoerência e autopunição, aparecem no lugar da heteroagressividade.

p. 70 o impulso sádico é representante da própria agressividade recalcada, aparece, disfarçada sob a forma de esquecimentos que são mais aceitáveis à sua própria consciência.

p. 72 o indivíduo neurótico é dominado por sentimentos de inadequação e por uma insegurança que sempre o deixam com uma forte sensação de fraqueza interna ele "vê-se compelido a buscar ansiosamente a companhia de outras pessoas para sentir-se mais forte, ao obter apoio, sentir-se mais seguro. Está sempre tentando encontrar no outro a aprovação, a afeição e a segurança que lhe falta em si mesmo.

p. 89 quanto mais segura, e madura emocionalmente for a pessoa, maior será a sua auto-estima, menores serão os seus níveis de ansiedade e, consequentemente, menores serão as possibilidades de ter pertubações psicológicas graves frente à situações frustrantes.

p. 89 se o indivíduo, for inseguro e emocionalmente imaturo, menor será a sua auto-estima, menor será a sua tolerância a níveis mais elevados de ansiedade e, consequentemente, qualquer situação que lhe provoque frustração será o suficiente para que ele tenha ataques explosivos de raiva, fique paralisado ou entre em depressão.

p. 91 as relações iniciais indesejáveis e defeituosas entre pais e filhos na infância, formam a base da imaturidade emocional e da deformação do "eu" em relação ao mundo.

p. 97 cada vez que enfrentamos, com êxito, situações conflitivas que geram ansiedade e, aqui estamos falando de níveis "normais" de ansiedade, nosso Ego se fortalece, e consequentemente, torna-se mais integrado.

p. 100 quanto mais maduros emocionalmente nós somos mais fortes são os nossos valores, mais fraca será a força da nossa ansiedade, mais equilibrados ficamos para enfrentar os obstáculos da vida e tanto mais crescermos a cada obstáculo vencido.

p. 115 se houver uma predominância do amor sobre o ódio, ou seja, da pulsão de vida sobre a pulsão de morte, ou se a proporção das duas forças for equitativa, haverá menos ansiedade e, portanto, menos recursos defensivos terão que ser mobilizados e, consequentemente, mais integrado ficará o Ego ,e logicamente, mais positivas, construtivas e criativas serão as relações da pessoa no mundo.

p. 116 se nos damos o direito de soltar a nossa raiva todas às vezes que ela emergir dentro de nós certamente nunca haverá um excesso de raiva guardada e provavelmente as reações explosivas não aparecerão com tanta frequência ou de modo violento e certamente as nossas relações serão construídas em bases mais verdadeiras do que quando a agressividade é contida ou expressa explosivamente e obviamente o nosso corpo não será vítima da agressividade reprimida.


p. 117 para que as desilusões narcisísticas possam ser superadas a pessoa deve entender que o mundo não gira única e exclusivamente em torno dela mesma, e que nem tudo oque ela deseja, tem que ser conquistados naquele instante, imediatamente, conforme a sua vontade. Levar o outro em conta e saber esperar pelo momento propício para conseguir o que se quer sem que a própria vontade tenha que ser satisfeita imediatamente são dois aspectos importantes que devem ser elaborados.


p. 124 a criação de uma imagem idealizada é uma forma de defesa contra sentimentos de inferioridade, de autodesvalorização e outros fatores que analisaremos a seguir, normal em neuróticos.

p. 134 cada obstáculo colocado em sua frente deve ser entendido como uma chance de evolução, pois a cada obstáculo superado criamos condições de lidar com as novas dificuldades de forma mais fluida e cada vez mais segura e madura. A superação dos obstáculos é que nos faz construtores ativos de nossas próprias vidas e para que isto ocorra nós termos que parar, pensar, analisar os fatos para tomarmos consciência, e possamos mudar tanto o nosso entendimento frente àquela dificuldade quanto a nossa atitude frente a vida. 

p. 141 uma personalidade bem estruturada e, consequentemente, bem integrada é a base da saúde mental. E para isso necessita: maturidade emocional, força de caráter, capacidade de lidar com emoções conflitantes, equilíbrio entre vida interna e adaptação à realidade e fusão bem-sucedida das diferentes partes da personalidade em um todo.