Nascidos para Comprar

29/06/2017

Excelente livro que explica o surgimento da compulssão por compras, os males que são causando na nova geração de crianças ansiosas com deficit de atenção. Os abusos cometidos pela indústria do marketing.   

(pág 7 ) Os estudos sobre ansiedade apresentam incremento dramático desse distúrbio. Segundo as médias atuais (ou seja, o padrão que define a normalidade), os jovens entre 9 e 17 anos encontram-se tão ansiosos quanto aqueles que em 1957 eram imediatamente internados em clínicas para tratamento de desordens psiquiátricas.  (Twenge, Jean M. "The age of anxiety? Birth cohort change in anxiety and neuroticism, 1952-1993" Journal of Personality and Social Psychology, 79(6):1007-1021, 2000).


(pág 18) A capacidade de consumo das crianças cresceu vertiginosamente. McNeal aponta que aquelas com idade de 4 e 12 anos realizaram compras no valor de 6,1 bilhões de dolares em 1989, 23,4 bilhões de dolares em 1997 e 30 bilhões de dolares em 2002, mostrando um crescimento de 400% no período.  O Item mais consumido é guloseimas e bebidas, é responsável por um terço desses gastos, seguidos por brinquedos e vestuário. Jovens entre 12 e 19 anos consomem em média 101 dolares por semana o que resulta em 170 bilhões de dolares em 2002. (McNeal, James The Kids market: myths and realities. Ithaca, NY: Paramount Publishing, 1999). 

(pág 18) As crianças estão se tornando compradores cada vez mais cedo. Estima-se que aquelas entre 6 e 12 anos visitem lojas duas a três vezes por semana e coloque no carrinho de compras seis itens em cada visita.

(pág 19) Quanto mais os jovens compram, mais relevância sua preferência adquire nas decisões de compras dos pais. Crianças entre 4 e 12 anos influenciaram diretamente a decisão de compra correspondente a 330 bilhões de dolares e de modo indireto outros 340 bilhões de dolares em 2004.

(pág 27) As crianças contemporâneas vão mais as compras. Em 1997, a criança entre 6 e 12 anos gastava em média duas horas e meia por mês nessa atividade, ou uma hora a mais do que em 1981. São visitantes frequentes dos supermercados e farmácias, são mandados a lavanderia e acompanham seus pais em lojas de departamentos. Gastam tanto tempo comprando quanto realizando visitas, o dobro do que gastam lendo ou indo à igreja e cinco vezes mais do que brincando ao ar livre. Gastam quase a metade do tempo correspondente à prática de esportes comprando.


(pág 29)  O tempo dedicado à televisão varia significativamente de acordo com a raça (que produz as maiores variações), renda e educação dos pais. Em famílias de menor renda e naquelas cujos pais têm menor nível educacional, dedica-se mais tempo à TV, especialmente as crianças mais jovens. (Kaiser Family Foundation www.kff.org/conten/1999/1535)


(pág 31) A conclusão de um estudo publicado no períodico Pediatrics Journal foi de que os índices desses distúrbios se elevaram constantemente desde 1979 até 1996 (Achenbach, T & Howell, C "Are american children´s problems getting worse?"  Journal of the American Academic of Child and Adolescent Psychiatry 32(6): 1145-1154 1993.

 Para crianças entre 4 e 15 anos de idade, os índices de ansiedade e depressão passaram de desprezíveis para 3,6%, hiperatividade e déficit de atenção saltaram de 1,4 para 9,2%. As estimativas para a depresão severa atingem 8% entre os adolescentes (www.nimh.nih.gov/publicat/childnotes.cfm)

Em décadas recentes, as taxas de suicídio cresceram , e o suicídio representa hoje a quarta causa de morte entre jovens de 10 a 14 anos. As taxas são ainda maiores entre membros de minorias raciais (www.surgeongeneral.gov/library/mentalhealth/chapter3/sec5.html).

O amplo estudo denominado Methods for the Epidemiology os Child and Adolescent Mental Disordes (MECA), conduziu a resultados semelhantes  mostrando que 13% das crianças entre 9 e 17 anos sofriam de ansiedade, 6,2% de distúrbios de humor, 10,3% de desordem de comportamento e 2% de abuso de drogas. Em conjuntio, 21% desse grupo etário possúia "diagnóstico de alguma desordem mental ou comportamental, ainda que mínima". (www.surgeongeneral.gov/library/mentalhealth/chapter3/sec5.html).

As conclusões do Child Developmente Report de  1997, que ainda incluiu crianças com idade de 3 e 12 anos, também são motivos de preocupação. (www.isr.umich.edu/src/child-development/timerep.html). Apesar de os pais considerarem que seus filhos são felizes e saudáveis, um em cinco afirmou que eles são medrosos ou aniosos, infelize, tristes, deprimidos ou tímidos. A pesquisa também questionava a qualidade das relações entre pais e filhos, e os resultados mostraram que apenas 59% consideraram sua relação com os filhos de idade escolar próxima ou muito próxima, ao passo que só 57% afirmaram ter comportamento carinhoso com os filhos várias vezes na semana (exemplos de comportamentos carinhoso são brincadeiras, gracejos, abraços e declarações de afetividade, como dizer "eu te amo".)

(pág 32) Os piscólogos apontam que estimular valores materialistas às crianças compromete o bem-estar , além de tornar os indivíduos aniosos, deprimidos, com menor vitalidade e pior sáude física). Entre os jovens, aqueles mais materialistas são mais propensos a se envolver em comportamento de risco.

(pág 42)  Joanne Cantor, uma pesquisadora com longa carreira na área e autora de Momy I´m scared, acredita que os programas de televisão e os filmes são as mais importantes causas previstas de pesadelos e ansiedade em crianças e que o susto motivado pela mídia pode perturbar e ter efeitos negativos na qualidade de vida emocional delas (Cantor, Joanne Mommy I´m scared. How tv and movies frighten children and what we can do to protect then. San Diego, Ca: Harcout Brace, 1998.)

(pág 52) Nos anos 1980, a Hasbro vendia seu boneco GI-Joe para jovens de 11 e 14 anos. Hoje, garatos de 8 anos o rejeitam por considerá-lo pueril. Há vinte anos, a revista Seventeen tinha por alvo adolescentes de 16 anos, hoje atua na faixa dos 11 e 12 anos. Em um gesto sintomático, a indústria de brinquedos oficialmente baixou o teto superior de seu alvo de mercado de 14 para 10 anos.

(pág 178)  Alto envolvimento do consumidor ou "consumismo", é uma significativa causa de depressão, ansiedade, baixa autoestima e queixas psicossomáticas. Crianças com problemas emocionais serão ajudadas se conseguirmos desembaraça-las do mundo que as corporações constroem para elas. 

O modelos produz um resultado do senso comum quando aponta que as crianças que gastam mais tempo assistindo à televisão e usando outras midias se tornam mais envolvidas com a cultura do consumo. A televisão induz a um descontentamento com aquilo que temos, cria uma orientaçao para atitudes de "posse" e para o dinheiro, bem como leva a criança a se preocupar com as marcas, produtos e valores associados ao consumo.

(pág 183) Uma excelente revisão dessa literatura foi feita por tim Kasser em seu livro (The high price of materialism Cambrigde, MA:MIT Press, 2002) os valores materialistas são tipicamente mensurados, perguntam-se às pessoas sobre o grau de concordância com uma séria de afirmações acerca de dinheiro, posses e conumo. O materialismo esta corelacionado com baixa autoestima, altos índices de depressão e ansiedade, assim como a queixas psicológicas e dificuldades de adaptação à vida em sociedade. Indivíduos que valorizam o dinheiro e o sucesso convencional são menos propensos a perceber emoções positivas, como alegria e felicidade e mais propensos a experimentar emoções negativas, como raiva e infelicidade. O materialistmo também está relacionado a elevados níveis de sintomas físicos, como dor de cabeça, mal-estar estomacal, dor nas costas, dores musculares e dor de garganta.

As pesquisas foram replicadas, e seus resultados, consistentemente validados em todo o planeta. A conclusão evidente de todo o trabalho é de a de que , à medida em que o indivíduo abraça mais fortemente valores materialistas, pior se torna sua qualidade de vida. 

(pág 185) Os pesquisadores argumentam que, quando as necessidades básicas não são atentidas ou quando o indivíduo está exposto a condições de insegurança, se torna mais materialista  .E que, ao assumir um estilo de vida materialista, mostra-se menos propenso a criar condições de desenvolvimento de situações de vida afirmativas e de bem-estar.

Pág 228 Um novo estudo mostrou que a exposição à televisão está correlacionada ao distúrbio de déficit de atenção. Crianças que assistem mais à televisão durante os primeiros três anos de vida apresentam dramática incidência dessa desordem por volta dos 7 anos. Cada hora diária adicinal de exposição aumenta em 10% a chance de uma criança desenvolvê-la. (acesse a seção videos no menu e assista ao vídeo do tedx do pesquisador Dimitri post TV e o Déficit de Atenção.