Tornando-se Dialógico Jaakko Seikula in PRÁTICAS COLABORATIVAS E DIALÓGICAS EM DISTINTOS CONTEXTOS E POPULAÇÕES: um diálogo entre teoria e práticas Grandesso Marilene A. Editora CRV 2017

16/08/2019

p. 41 Em reuniões de diálogo aberto o foco é fortalecer o lado adulto do paciente e normalizar a situação em vez de focar no comportamento regressivo (ALANEN, et al 1991). O ponto inicial do tratamento é a linguagem da família descrevendo o problema do paciente. Os problemas são vistos como socialmente construídos e são reformulados em cada conversa (BAKHTIN, 1984. GERGEN, 2009, SHOTTER, 1993; SHOTTER; LANNAMANN, 2002)

p. 42 Diálogos abertos têm sido estudados sistematicamente na Lapônia Ocidental, com pacientes no primeiro episódio psicótico (SEIKKULA et al, 2006; SEIKKULA et al, 20101; A ALTONEN et al, 2011(, Esses estudos mostraram resultados favoráveis em psicose. No acompanhamento após 5 anos de follow up, 85% dos pacientes não apresentavam sintomas remanescentes de psicose e haviam retornado às suas ocupações. Apenas um terço usou medicamentos antipsicóticos. Há também um declínio de 25% na incidência de esquizofrenia na Lopônia Ocidentalk durante os 25 anos de prática do diálogo aberto.

p. 44 Nossa identidade social é construída ao adaptarmos nossas ações às dos outros e, mais que isso, só é possível conhecer a mim mesmo de fato, ao ver-me através dos olhos do outro (BATKHTIN, 1990)

p. 49 o terapeuta repete as palavras do paciente isso é amiúde muito útil  para gerar diálogo em questões carregadas de emoção. O falante pode ouvir suas próprias palavras com uma entonação levemente diferente

p. 51 nós somos seres relacionais; nascemos dentro de relações e todas as relações dentro das quais vivemos se corporificam na estrutura dos nossos corpos viventes. Nada mais é necessário do que ser ouvido e levado a sério; e é isso que gera uma relação dialógica.

p. 51 Mikhail Nakhtin (1984) viver siginifica participar do diálogo: fazer perguntas, prestar atenção, responder, concordar e assim por diante. (p.293)